Raquel Virgínia — Foto: Flávio Moraes/G1

Cantora trans Raquel Virginia é chamada de “puta” por segurança do Shopping Bourbon em SP

Raquel Virgínia, uma das vocalistas da banda As Bahias e a Cozinha Mineira, relatou em sua conta no Instagram (veja abaixo) e contou ao G1 que presenciou um caso de racismo e foi ofendida por um segurança na noite desta quinta-feira (7 de março) no Shopping Bourbon, na Zona Oeste de São Paulo.

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POR FAVOR, VAMOS NAS REDES DESSE SHOPPING QUESTIONAR. Estava no @bourbonshopping fazendo compras. Quando passo perto de um grupo de adolescentes negros com varios seguranças em volta. Ouço um deles dizer pro outro, “vc fez alguma coisa? Não. Então já era”. Esperei alguns minutos fingindo que estava olhando vitrines e fui até um deles, pedi licença e perguntei o que estava havendo. Ele me contou que os seguranças estavam averiguando uma reclamação de uma loja. Eu perguntei pro segurança: o que vcs estão averiguando? Ele me respondeu: “uma loja reclamou deles” Eu perguntei: “ reclamou o que ?” Ele me olhou com cara de “não sei”. Eu olhei para os garotos e disse: “podem ir, vão passear, eles não podem segurar vocês aqui, podem ir”. Nesse momento um deles me olhou e disse: “ valeu tia”. Eu comecei a discutir com um dos seguranças que o tempo todo perguntou quem eu era. Eu respondi “uma cidadã, que paga impostos e não vai compactuar com o crime do racismo” Depois de muita discussão voltei às compras e os garotos foram passear. Ainda passeie com eles um pouco. Resumindo: voltei às compras. Encontrei com o segurança novamente: ele olhou minhas sacolas, por certo pra saber meu poder de compra. Eu falei pra ele: “pode olhar, sou rica, comprei bastante coisa e tudo coisa cara. Fruto de estudo e competência. Ao que ele me disse: tem que estudar pra ser puta e fazer programa?. Tenho vídeos. Peço pra que vocês compartilhem e vamos pedir pra que o shopping Bourbon se pronuncie a respeito. É importante. Jamais pediria se não fosse sério.

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Raquel, que é negra e trans, contou que estava fazendo compras no shopping quando passou por um grupo de cinco crianças e adolescentes negros que estava cercado e retido por seguranças.

Segundo a cantora, ao ser questionado sobre o que estava acontecendo, um dos seguranças afirmou que estava averiguando a reclamação de uma loja, mas não detalhou qual seria a reclamação. A cantora teria então começado uma discussão para pedir a liberação dos garotos.

Eu comecei a discutir com um dos seguranças, que o tempo todo perguntou quem eu era. Eu respondi ‘uma cidadã, que paga impostos e não vai compactuar com o crime do racismo’. Depois de muita discussão voltei às compras e os garotos foram passear”, afirmou.

O mesmo segurança teria encontrado novamente Raquel após a realização de suas compras e a chamado de "puta".

Voltei às compras. Encontrei com o segurança novamente: ele olhou minhas sacolas, por certo para saber meu poder de compra. Eu falei para ele: ‘pode olhar, sou rica, comprei bastante coisa e tudo coisa cara. Fruto de estudo e competência’. Ao que ele me disse: ‘tem que estudar pra ser puta e fazer programa?’”, disse.

Ao G1, Raquel afirmou que reclamou com o chefe de segurança do shopping e que nenhuma providência foi tomada.

Por meio de nota, o Shopping Bourbon informou que "repudia qualquer forma de racismo ou ato discriminatório". "Informa que todos os procedimentos e protocolos de abordagem a clientes estão sendo reavaliados junto à empresa terceirizada responsável pela segurança do shopping", diz o texto.

Para Raquel Virgínia, o que ela viu foi um "trabalho organizado de discriminação". "Não foi só um segurança, foi uma equipe de segurança que fez isso. É uma organização que tem como pré-requisito a discriminação”, diz.

A cantora disse ainda que outras pessoas têm denunciado casos parecidos na sua postagem nas redes sociais.

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