As Bahias e a Cozinha Mineira. Assucena Assucena, Rafael Acerbi e Raquel Virginia se conheceram na faculdade de História da Universidade de São Paulo - Foto: Pedro Dimitrow

As Bahias e a Cozinha Mineira tomam novos caminhos em 'Tarântula'

Em uma grande gravadora, a Banda lança seu terceiro disco

Agora eles fazem parte da grande lista da Universal Music (maior gravadora do mundo), a banda As Bahias e a Cozinha Mineira vão ficar mais conhecidos do alguns anos atrás quando os integrantes da banda se conheceram nos corredores do curso de História da Universidade de São Paulo, “rolando na grama e tocando violão” como fizeram ao lançar o terceiro álbum no dia 31 de maio o disco Tarântula.

A banda é conhecida após rodar o país onde eles misturavam ritmos brasileiros, com das referências baianas maiores como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Gosta como exemplos onde eles se inspiravam.

Em 2018, eles tiveram um reconhecimento maior nas mídias após ganharem um prêmio de maior repercussão da Música Popular Brasileira (melhor álbum e melhor grupo de canção popular) mudaram algumas rotinas que eles já estavam acostumados, onde faziam todas as concepções de montagem, composição e até pagar as contas nos bolsos de cada um deles.

Agora, podemos usufruir do fato de sermos artistas”, comemora Assucena , uma das vocalistas da banda, nascida em Vitória da Conquista (BA) na entrevista realizada pelo Jornal Estado de São Paulo, daí o apelido, que compartilha com Raquel Virgínia, uma bela paulistana, mas que morou anos em Salvador. Acrescentando o mineiro Rafael Acerbi que forma o trio da banda.

Banda já provou seu potencial pelos dois primeiros discos “Mulher” (2015) e “Bixa” (2017) que tinha uma “amarração conceitual” predeterminada e que agora com novo álbum surgiu de maneira mais espontânea quando o trio reuniu canções e entendeu que era, de fato, uma banda de álbuns, ao contrário dos Eps, ainda em voga nas plataformas de streaming. “A gente se juntou numa praia no litoral de São Paulo discutindo o que seria esse novo trabalho. Cada um trouxe suas músicas e entendemos o que era o disco. Foi mais pragmático nesse sentido, mas não menos artístico”, conta Virgínia. “O bom de ganhar experiência é que você aprende a pedir, por exemplo, uma produção diferente, e estabelece diplomacias diversos com empresários, gravadora, etc. O disco é a demarcação de um lugar profissional da banda”, acredita.

Novo álbum continuam a carregar um pouco da identidade da banda e que apontam em vários estilo, o primeiro é a canção “Volta” que tem um tom de pop folk leve, tem “Shazam Shazam Boomé” uma canção bem contagiante e bem-humorada e pode até escolhida para um tema de novela, talvez seja a hora que as redes de televisões olhassem para a banda nesta oportunidade.

Carne dos Meus Versos” é mais blues com algo para se falar ao público e digamos que é melhor do disco. Claro que além destas três faixas (são 10 no total) todas ganharam clipes que explicitam a relação profunda da banda com a cidade de São Paulo, a fonte inspiradora do álbum.

A banda ganhou nos últimos dois anos um destaque onde tivermos muitos artistas mostrando a sua sexualidade como algo de divulgar à população, como Johnny Hooker, Liniker, Pablo Vittar que são alguns exemplos que tinham como elemento reflexão artística e universo LGBTI+.

Sim, as duas vocalistas do As Bahias são mulheres trans, porém, nunca se apresentaram como um elemento de segmentação para o grupo. “Uma canção é um quadro que vou pintar, uma crônica. Existe uma natureza intrínseca de tratar desses assuntos, como seres políticos que somos, além do nosso viés de historiadoras. Nesse sentido, é natural aparecer (discussões de sexualidade nas canções). Mas para a população trans, por exemplo, é extremamente político e revolucionário escrever sobre questões de amor”, explica Assucena. “Uma vez nos convidaram para um programa de TV para falar de ‘lacração’. Eu nem sabia o que era isso”, riu Virgínia sobre as falas do público LGBTI+.

Sobre estar em evidência de ser uma mulher trans, ela afirma que “a consciência (de respeito à população LGBT) uma vez criada, não recua. As pessoas estão ligadas. Independente do governo, essa cobrança existe daqui para frente. Os movimentos sociais estão construindo um embasamento ideológico nesse sentido. Os tempos históricos são inseparáveis”. Disse Virgínia.

Continuou a dizer na entrevista “A democracia é isso. O governo é legítimo, e a gente vai ter que democraticamente lidar com os posicionamentos dele. No momento, políticas públicas para a população LGBT estão sendo deterioradas, e isso é um problema grave, porque os números (de mortes e agressões motivadas por homo e transfobia) são de guerra. Só que vivemos na democracia, e a democracia tem suas contradições. Todos nós temos que reaprender o que ela é, revisitar esse conceito. O atual governo está me ensinando sobre democracia. Que isso sirva de amadurecimento para nós enquanto País.

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Fonte : Estado de São Paulo

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